FICHE PAYS  – Sao Tomé-et-Principe

Ce recueil consacré au droit LGBTI+ présente, à travers des fiches pays, le cadre juridique applicable aux minorités sexuelles et de genre. Il présente et analyse de manière synthétique les droits constitutionnels, civiques et pénaux relatifs à l’orientation sexuelle et l’identité de genre. L’objectif est de regrouper en un seul document les protections existantes, les ambiguïtés normatives et les restrictions persistantes. Les fiches pays sont à destination des professionnels du droit et des étudiants et servent de base de connaissance afin de mieux protéger et/ou d’améliorer les droits LGBTI+ à travers le monde.

 

1.Dépénalisation 

Sao Tomé-et-Principe a abrogé les dispositions criminalisant les relations sexuelles consenties entre adultes lors de la réforme de son code pénal en 2012. Cette réforme abroge aussi les dispositions faisant référence aux “vices contre nature

2. Famille

A.Union

La Constitution, dans son article 26 alinéa 1, reconnaît le droit de fonder une famille et de se marier dans des conditions de pleine égalité : 

« A família é o elemento fundamental da sociedade e tem direito à proteção do Estado. »

Néanmoins, son alinéa 2 renvoie au droit commun s’agissant des modalités d’union. Or, le mariage entre deux personnes du même sexe n’est pas reconnu en droit civil.

L’article 2 du code civil dispose que le mariage est une union volontaire entre deux personnes de sexes différents :

« Casamento é uma união voluntária entre duas pessoas de sexo diferente que pretendem constituir família, mediante uma plena comunhão de vida, nos termos das disposições deste Código. »

L’article 45, alinéa d. du code de la famille de 2018 dispose quant à lui qu’une union entre deux personnes de même sexe ne peut ^^etre légalement reconnue : 

É juridicamente inexistente:

[…] d. O casamento contraído por duas pessoas do mesmo sexo.”

Il existe donc un décalage entre le droit constitutionnel et le droit commun sur la question de l’union, avec la constitution évoquant expressément un droit au mariage sans discrimination et le droit commun l’empêchant. Un contrôle de constitutionnalité pourrait permettre un alignement entre la constitution et le droit de la famille.

B.Adoption

Le Code de la famille de Sao Tomé-et-Principe régit l’adoption aux articles 408 à 420.

L’article 408 détermine qui peut être adoptant :

1. Podem adoptar as pessoas casadas e não separadas judicialmente de pessoas e bens ou de facto e as pessoas unidas de facto há mais de três anos, se ambas tiverem mais de 25 anos

2. Podem ainda adoptar pessoas singulares com mais de 30 anos ou se o adoptando for filho do cônjuge do adoptante, mais de 25 anos

Selon cet article, seules les personnes mariées ou en union de fait depuis au moins 3 ans peuvent conjointement adopter un enfant. Les personnes doivent avoir au moins 25 ans. Quant aux personnes célibataires, elles peuvent adopter si elles ont plus de 30 ans. Aucune mention n’est faite de leur orientation sexuelle.

    Les unions de faits ne peuvent concerner les couples de sexes différents, comme en dispose l’article 3 du code de la famille : 

    « A união de facto é a convivência estável, singular e séria entre duas pessoas de sexo diferente que pretendem constituir família e, sendo legalmente aptas para contrair casamento, não o tenham celebrado. »

    4. Non-discrimination

    A.La Constitution

    L’article 15, al. 1 de la Constitution consacre le principe d’égalité devant la loi : 

    1. Todos os cidadãos são iguais perante a lei, gozam dos mesmos direitos e estão sujeitos aos mesmos deveres, sem distinção de origem social, raça, sexo, tendência política, crença religiosa ou convicção filosófica.

     

    Cependant, l’orientation sexuelle et l’identité de genre ne sont pas mentionnées, et la formulation apparait exhaustive. Seul le critère de « sexe » pourrait ainsi faire office de base pour une protection des minorités sexuelles et de genre dans la constitution. 

    B. En matière d’emploi

    L’article 16, al. 2 du Code du travail de 2019 consacre expressément l’interdiction de discrimination à l’emploi, positive ou négative, en raison de l’orientation sexuelle. 

    2. Nenhum trabalhador ou candidato a emprego pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão, nomeadamente, de ascendência e origem social, raça, cor, idade, sexo, orientação sexual, estado civil, situação familiar, património genético, capacidade de trabalho reduzida, deficiência, doença crónica, nacio- nalidade, origem étnica, religião, convicções políticas ou ideológicas e filiação sindical.

    Cet article est renforcé par l’article 17 qui interdit la discrimination, de manière générale cette fois, et fait lui aussi mention de  l’orientation sexuelle. 

    Proibição de discriminação

    1. Fica expressamente proibido ao empregador praticar qualquer discriminação, directa ou indirecta, baseada, nomeadamente, na ascendência e origem social, raça, cor, idade, sexo, orientação sexual, estado civil, situação familiar, património genético, capacidade de trabalho reduzida, deficiência ou doença crónica, nacionalidade, origem étnica, religião, convicções políticas ou ideológicas e filiação sindical.

    C. En matière de santé

    Le domaine de la santé est régi au Sao-Tome e Principe par la Lei n.º 09/2018 Lei Base de Saúde.

    Plusieurs de ses dispositions garantissent un accès à la santé sans discrimination. Tout d’abord, son article 3(1) rappelle que la protection de la santé est un « droit des individus » : 

    A protecção da saúde constitui um direito dos indivíduos e da comunidade que se efectiva pela responsabilidade conjunta dos cidadãos, da sociedade e do Estado, em liberdade de procura e de prestação de cuidados, nos termos da Constituição e das demais leis; […]

    En outre, son article 5 impose le principe d’égalité dans l’accès au soin, quel que soit le genre de la personne concernée : 

    1. A política de saúde tem âmbito nacional, é definida e adoptada pelo governo e obedece às directrizes seguintes: […] b) É objectivo fundamental obter a igualdade dos cidadãos no acesso aos cuidados de saúde, seja qual for a sua condição económica, o género e onde quer que vivam, bem como garantir a equidade na distribuição de recursos e na utilização de serviços; […]

    Ici, il n’est pas fait mention de la notion d’orientation sexuelle, mais la notion de genre pourrait indirectement permettre la protection des personnes LGBTQ+ au moyen de cette disposition. Ajoutons également que la disposition commence par l’idée selon laquelle l’objectif fondamental est d’assurer l’égalité des citoyens dans l’accès aux soins de santé.

    D. Protection pénale

    L’article 130 du Code pénal de 2012 fait d’un homicide pour motif homophobe une circonstance aggravante. Un homicide volontaire est passible de 8 à 16 ans d’emprisonnement (article 129 du Code Pénal), et les circonstances aggravantes de l’alinéa 2 de l’article élèvent le seuil, la peine pouvant alors aller de 14 à 20 ans d’emprisonnement.


    2. É susceptível de revelar a especial censurabilidade ou perversidade a que se refer o número anterior, entre outras, a circunstância de o agente:[…] d) Ser determinado por ódio racial, religioso ou político, ou gerado pela cor, origem étnica ou nacional, pelo sexo ou pela orientação sexual da vítima.

    E. La question du VIH/sida 

    Il n’existe pas dans le droit santoméen de législation spécifique relative au VIH ou au traitement des personnes séropositives. Cependant, l’article 337 du Code pénal de Sao-Tomé pénalise la transmission des maladies contagieuses. 

    1. Quem propagar doença contagiosa, criando um perigo para a vida ou de grave lesão da saúde ou da integridade física de um número indeterminado de pessoas, é punido com prisão de 1 a 5 anos. 2. Se a conduta descrita no n.º 1 deste artigo for imputável a título de negligência, a pena é de prisão até 1 ano ou multa até 100 dias. […]

    Sont ainsi pénalisées les transmissions volontaires et involontaires (négligence) du VIH.

    En revanche, s’il existe en droit santoméen des sanctions pouvant avoir une incidence sur les personnes séropositives, il existe également une loi qui prévoit une mesure protectrice. En effet, la Lei n.º 09/2018 Lei Base de Saúde susmentionnée énonce au §c de son article 5

    São tomadas medidas especiais de protecção relativamente à grupos sujeitos à maiores riscos, tais como as crianças, os adolescentes, as grávidas, os idosos, os deficientes, os toxicodependentes, os portadores de HIV […]

    Néanmoins, la législation ne décrit pas précisément en quoi consistent les mesures de protection spéciales mentionnées.

    5. Identité de genre

    Aucune source consultée ne fait état d’une possible rectification du genre à l’Etat civil pour les personnes transgenre. 

    6. Droit d’association et d’expression

    La Constitution santoméenne consacre ces libertés au deuxième chapitre : 

    « Artigo 29º Liberdade de expressão e informação 1. Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio. 2. As infracções cometidas no exercício deste direito ficam submetidas aos princípios gerais de direito criminal, sendo a sua apreciação da competência dos tribunais. »  

    Artigo 35º Liberdade de associação 1. Os cidadãos têm o direito de, livremente e sem dependência de qualquer autorização, constituir associações, desde que não sejam contrárias à lei penal ou não ponham em causa a Constituição e a independência nacional. 2. As associações prosseguem livremente os seus fins. 3. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação nem coagido por qualquer meio a permanecer nela. » 

    Il ne semble pas avoir de dispositions particulières tenant à des limitations de ces droits visant les personnes LGBTI+. La limite indiquée au principe de liberté d’expression renvoie au droit commun pénal, et la limite indiquée au principe de droit d’association renvoie à l’obligation de respecter le droit pénal, la constitution du pays ainsi que l’indépendance nationale.

    7. Droits numériques

    En 2016, une loi a été adoptée par l’Assemblée nationale santoméenne pour réglementer la collecte et le traitement des données personnelles. 

    Ainsi, selon l’article 2 de la Lei n.º 03/2016 Visa Garantir e Proteger os dados pessoais das Pessoas Singulares :

    O tratamento de dados pessoais deve processar-se de forma transparente e no estrito respeito pela reserva da intimidade da vida privada e familiar, bem como pelos direitos, liberdades e garantias fundamentais estabelecidos na Constituição da República Democrática de São Tomé e Príncipe, nos instrumentos de direito internacional e na legislação vigente.

    Cette disposition protège les données personnelles en obligeant son traitement à respecter la constitution, la vie privée et familiale, la législation en vigueur ainsi que les droits issus des instruments de droit international.

    Quant à la définition des données personnelles, celle-ci est donnée à l’article 4 du même texte : 

    1. Para efeitos da presente Lei, entende-se por: a) «Dados pessoais»: qualquer informação, de qualquer natureza independentemente do respectivo suporte, incluindo som e imagem, relativa a uma pessoa singular identificada ou identificável («titular dos dados»), sendo considerada identificável a pessoa que possa ser identificada directa ou indirectamente, designadamente por referência a um número de identificação ou a um ou mais elementos específicos da sua identidade física, fisiológica, psíquica, económica, cultural ou social; […]

    L’article 4 explique notamment qu’une donnée personnelle consiste en une information de quelque nature que ce soit permettant d’identifier une personne.

    L’article 5 établit une obligation de traitement licite, de collecte conforme à l’article 2 précité et non excessive ainsi que l’exactitude des données.

    Si ces dispositions demeurent générales, certaines, notamment celles traitant des données personnelles sensibles, peuvent permettre de protéger plus directement les droits des personnes LGBTQ+, notamment à travers la protection de la « vie sexuelle » et de la « vie privée ». C’est le cas de l’article 7 :

    1. É proibido o tratamento de dados pessoais referentes a convicções filosóficas ou políticas, filiação em associação política ou sindical, fé religiosa, vida privada e origem racial ou étnica, bem como o tratamento de dados relativos à saúde e à vida sexual, incluindo os dados genéticos.

    2. O tratamento dos dados referidos no número anterior pode, no entanto, ser efectuado desde que com garantias de não discriminação e com as medidas de segurança previstas no artigo 16.º, nas seguintes condições:

    a) Mediante disposição legal ou disposição regulamentar de natureza orgânica que expressamente autorize o tratamento dos dados previstos no número anterior; 

    ou b) Autorização da Agência Nacional de Protecção de Dados Pessoais, quando por motivos de interesse público importante esse tratamento for indispensável ao exercício das atribuições e competências do seu responsável; ou

    c) Quando o titular dos dados tiver autorizado de forma expressa para esse tratamento. […]

    3. O tratamento dos dados referentes à saúde e à vida sexual, incluindo os dados genéticos, pode ser efectuado quando for necessário para efeitos de medicina preventiva, de diagnóstico médico, de prestação de cuidados ou tratamentos médicos ou de gestão de serviços de saúde, desde que o tratamento desses dados seja efectuado por um profissional de saúde obrigado a sigilo ou por outra pessoa sujeita igualmente a segredo profissional, seja notificado à Agência Nacional de Protecção de Dados Pessoais, nos termos do artigo 21.º e sejam garantidas medidas adequadas de segurança da informação.« 

    La loi, comme une majorité de loi de protection des données, met en place un droit d’opposition. En l’occurrence, ce droit est consacré à l’article 12 de la loi.

    L’article 16 énonce des obligations pour les personnes en charge du traitement des données personnelles de mettre en place des mesures de sécurité supplémentaires dans certains cas, notamment en ce qui concerne les données personnelles sensibles.  

    Dans la même veine, l’article 18 rappelle l’obligation qu’ont les auteurs du traitement de données personnelles de respecter le secret professionnel.

    8. Droit pénal international

    Sao-Tomé Et Principe a signé le statut de Rome en 2000 mais ne l’a pas encore ratifié. Tout de même, son Code pénal contient une disposition relative au crime de génocide qui pourrait être mobilisée dans le cadre de la défense des droits LGBTQ+. En effet, en vertu de l’article 210 de ce dernier : 

    1. Quem, com intenção de destruir, no todo ou em parte, uma comunidade ou um grupo nacional, étnico, racial, religioso ou social, praticar alguns dos actos seguintes: a) Homicídio de membros da comunidade ou do grupo; b) Ofensa grave à integridade física ou psíquica de membros da comunidade ou do grupo; c) Sujeição da comunidade ou do grupo a condições de existência ou a tratamentos desumanos, susceptíveis de virem a provocar a destruição da comunidade ou do grupo; […]« 

    En l’espèce, l’inclusion du “groupe social” au titre des groupes pouvant être victimes d’un génocide pourrait permettre l’inclusion du groupe LGBTQ+ dans le champ de cet article.

    9. Droit international à l’échelle nationale

    L’article 13 de la Constitution santoméenne dispose que : 

    […] 3. As normas constantes de convenções, tratados e acordos internacionais validamente aprovadas e ratificadas pelos respectivos órgãos competentes têm prevalência, após sua entrada em vigor na ordem internacional e interna, sobre todos os actos legislativos e normativos internos de valor infraconstitucional.

    Cette disposition indique que les normes contenues dans les conventions, traités et accords internationaux, valablement approuvés et ratifiés prévalent, après leur entrée en vigueur, sur tous les actes législatifs et normatifs internes sauf la loi constitutionnelle. Ainsi, ces normes internationales sont invocables devant le juge national afin de protéger les droits fondamentaux LGBT+.